As reclamações sobre campanhas de recall cresceram no primeiro semestre deste ano. De janeiro a junho, o Portal da Queixa contabilizou 123 reclamações - mais 101 do que no mesmo intervalo de 2025, quando haviam sido registradas apenas 22. Em termos percentuais, isso representa uma alta de 459%.
De acordo com o Portal da Queixa, esse avanço pode ter relação com as novas regras em vigor desde 1 de março, que determinam reprovação automática na inspeção periódica obrigatória de veículos com campanhas de recall ainda não cumpridas.
Para a entidade, “os dados do Portal da Queixa apontam para maior visibilidade do tema e novas regras como fatores explicativos”.
As causas das reclamações
Segundo o Portal da Queixa, muitos motoristas seguem encontrando obstáculos depois de identificarem que o carro tem uma ação de recolha pendente. Entre os problemas mais mencionados estão falta de peças, demora para concluir os reparos, dificuldade para agendar o atendimento e ausência de resposta por parte das marcas.
Tipos de queixas mais frequentes
As reclamações ligadas a produto e reparação somam mais de 62% do total. Na sequência aparecem as relacionadas a serviço e atendimento (24%). Há, ainda, queixas ligadas à segurança e ao cumprimento de obrigações legais, que representam cerca de 10% dos registros.
Falta de aviso ao proprietário e falhas de contato
Entre os relatos recebidos, há também casos de condutores que afirmam jamais ter sido informados sobre a existência da campanha de recolha: “Nunca fui notificada previamente pela marca sobre esta campanha de recolha, apesar de se tratar de um problema classificado como de risco potencialmente mortal”, escreveu uma cidadã em uma reclamação.
Para Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa, a escalada de reclamações não indica, necessariamente, que as marcas estejam administrando pior os recalls. Na visão dele, o assunto ganhou mais exposição tanto por causa das novas regras nas inspeções quanto pelo lançamento da plataforma RECALL.
Mesmo assim, ele avalia que ainda há pontos a corrigir, sobretudo quando existem atrasos nos reparos, indisponibilidade de peças ou dificuldade de localizar e contatar os atuais proprietários dos veículos.
“O desafio passa por reforçar a eficácia dos processos, garantindo uma comunicação clara, respostas atempadas e capacidade de execução adequada, elementos críticos para a segurança rodoviária e para a confiança dos cidadãos”, sublinha.
Lisboa e Porto reúnem o maior volume de reclamações, com 22,48% e 18,60% do total, respectivamente.
Plataforma RECALL
Para descobrir se um automóvel tem alguma ação de recolha pendente, o IMT e a ACAP criaram a plataforma RECALL. Nela, é possível conferir se há alguma ação de recolha ativa para um veículo - basta informar a placa (matrícula) ou o VIN (Número de Identificação do Veículo).
Consulta, agendamento e recomendação do IMT
Se houver uma campanha de recolha pendente, o proprietário deve procurar uma concessionária oficial da marca para agendar a intervenção. O IMT também recomenda consultar a plataforma com regularidade, especialmente antes da inspeção periódica obrigatória, para garantir que eventuais novas campanhas sejam identificadas em tempo hábil.
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