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Mercedes-AMG C 63 W206 vira híbrido plug-in com quatro cilindros

Carro esportivo Mercedes AMG C63 PHEV cinza metálico em exposição na concessionária.

Na semana passada, o novo Classe C W206 foi apresentado e os boatos se confirmaram: a linha vai ficar restrita a motores de quatro cilindros - e nem mesmo os futuros e mais fortes Mercedes-AMG C 43 e Mercedes-AMG C 63 vão fugir desse caminho.

Adeus ao V8 de Affalterbach

Com isso, sai de cena o carismático V8 by Affalterbach, um conjunto mecânico que acompanha o Classe C desde a estreia da primeira geração, em 1993, passando por todas as variações do tema: aspirado, com compressor (ou Kompressor) e, mais recentemente, biturbo.

Mesmo usando o M 139 - o especial quatro cilindros em linha 2,0 litros turbo visto pela primeira vez no A 45 e no A 45 S (o quatro cilindros de produção mais potente) - os números ainda parecem “curtos” quando colocados ao lado do 4.0 V8 biturbo: 421 cv e 500 Nm contra 510 cv e 700 Nm.

Por isso, para chegar perto do antecessor em potência e torque, o novo Mercedes-AMG C 63 também vai receber eletrificação e deve virar um híbrido plug-in. Apesar de ser uma combinação inédita no C 63, ele provavelmente não será o primeiro AMG híbrido nas lojas: a previsão é que o futuro Mercedes-AMG GT 73 - V8 somado a motor elétrico, prometendo ao menos 800 cv - inaugure essa fase.

A ajuda dos elétrons não deve servir apenas para entregar números “gordos” no C 63. Ela também deve abrir espaço para uma série de soluções novas que, pelas escolhas mecânicas e técnicas envolvidas, tende a transformar o próximo sedã esportivo no C 63 mais complexo de todos. É o que indicam as informações publicadas pela britânica Car Magazine, que adiantou o que esperar da criação mais radical de Affalterbach.

O que já sabemos?

O ponto de partida é a mecânica, que promete ser bem intrincada. Além do ISG (motor-gerador integrado) presente nos demais Classe C, o M 139 deve trabalhar com o reforço de um motor elétrico de (especula-se) cerca de 200 cv, instalado diretamente no eixo traseiro.

Curiosamente, esse módulo elétrico funcionaria de forma independente do conjunto formado pelo motor a combustão e pela transmissão (câmbio automático de nove marchas), ainda que os dois continuem entregando força ao eixo traseiro. Segundo a Car Magazine, o torque instantâneo elevado do motor elétrico criaria dificuldades para o câmbio automático lidar com essa carga.

Toda essa arquitetura deve resultar em valores superiores de potência e torque: a expectativa é de 550 cv e 800 Nm. Para que a entrega seja a mais suave e eficiente possível, o futuro Mercedes-AMG C 63 deve contar com turbocompressor com assistência elétrica (para eliminar o atraso do turbo) e, pela primeira vez em sua história, com tração nas quatro rodas - solução que também foi adotada pela primeira vez no rival BMW M3.

Quase 2000 kg

O aumento de potência e torque não vem “de graça”. Além de garantir vantagem “no papel” diante dos concorrentes diretos - o M3 declara 510 cv em sua versão mais potente -, ele também ajuda a compensar o peso extra do sistema elétrico (estimado em aproximadamente 250 kg).

Tudo indica que este será o Mercedes-AMG C 63 mais pesado já feito, chegando muito perto de duas toneladas (2000 kg).

A notícia não é das melhores - peso é um inimigo constante -, mas a configuração mecânica diferente pode trazer um benefício: a promessa de uma distribuição de massa mais equilibrada do que a do C 63 atual. A dianteira deve carregar menos, já que o M 139 é cerca de 60 kg mais leve do que o M 177 (V8). E, com a máquina elétrica posicionada no eixo traseiro, a expectativa é atingir uma distribuição perfeita de 50/50.

Desempenho e modo elétrico no Mercedes-AMG C 63

Com mais potência e tração integral, o novo C 63 tende a ganhar em arrancadas: especula-se que o 0–100 km/h seja feito em 3,5 s, ou 0,5 s mais rápido que o atual. E, apesar de ser um híbrido plug-in, a velocidade máxima não deve se distanciar da do antecessor - ou seja, 290 km/h no C 63 S atual.

Por ser um híbrido plug-in, é de se esperar não só números oficiais de consumo e emissões de CO₂ bem mais baixos, como também a possibilidade de rodar várias dezenas de quilômetros somente com o motor elétrico - no total, 60 km ou pouco acima disso.

Sem dúvida, será um Mercedes-AMG C 63 como nunca vimos. Mas, além das fichas e dos números, será que ele vai manter caráter e dinâmica suficientes para fazer a gente esquecer o C 63 mais simples e selvagem, de tração traseira e motor V8?

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